Fundadores demoraram 15 dias para percorrer 100 quilômetros
Na época, os três vieram para extrair e vender erva-mate, árvore nativa do cerrado usada no tereré (natural ou gelado) e no mate (quente), bebidas típicas da região fronteiriça.
A erva extraída em Jateí era recolhida pela então Companhia Mate Laranjeira, que beneficiava e abastecia o mercado interno e também fazia a exportação para outros países.
A empresa foi a dominadora de grande parte das terras locais até 1.943, quando ocorreu a reforma agrária do então presidente Getúlio Vargas, criando a Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND), com a distribuição de terras a colonos vindos de diversas regiões do país, especialmente nordestinos que já estavam em território paulista.
A filha caçula de Dário Dionízio Lopes, a professora aposentada Ilda Lopes Araújo Alves, relata que seu pai e sua mãe Joaquina Araújo Dionízio chegaram em Jateí em 1.946. Eles haviam se casado em 1.938, em Rio Brilhante e vieram de lá com cinco filhos pequenos, sendo Laudelino com 7 anos, Albertina (5), Ramão (3) e as gêmeas, Irotilde e Derotilde, com apenas um ano de idade.
Para percorrer pouco mais de 100 quilômetros, as famílias demoraram 15 dias, de Rio Brilhante a Jateí, usando o meio de transporte mais comum na época, um “carro-de-boi”.
Para dar abrigo à família, conforme relato de Ilda, Dário Lopes construiu uma “tapera” (casa rústica) utilizando lascas de coqueiro para o cercamento e folhas de sapé (capim muito comum na época) como cobertura da casa. Em 1.949 nasceu Virgínia, a primeira jateiense nata, seguida de Oraide em 1.950, Joaquim em 1.952, Maria das Dores em 1.955, Anésia em 1.957 e a caçula Ilda, em 1.960.
Dário faleceu um ano depois do nascimento de sua filha Ilda, em 1.961, quando morava na linha do Barreirinho poente. Sua esposa Joaquina ainda ficou residindo nesta localidade até 1.978, quando deixou o sítio e veio morar na cidade junto com a filha Ilda. As duas fixaram residência na Rua Pedro Neres, até o falecimento de Joaquina em 18 de março de 2.020.
Missão desafiadora – Ilda cita relatos de sua mãe Joaquina sobre como era sobreviver em um lugar quase deserto. Era desafiador morar em meio à mata cerrada, sendo que a sobrevivência da família foi muito difícil, só melhorando um pouco quando começaram a colher os primeiros grãos das plantações de subsistência (arroz, feijão, amendoim, etc).
As primeiras famílias que chegaram em Jateí tiravam da natureza o necessário para se alimentar e sobreviver. “Minha mãe relatava que tirava linhas para costurar das folhas de coqueiros, faziam sabão de frutos selvagens e utilizavam cinzas curtidas no lugar de soda cáustica para limpeza, além de usar castanha de coco e abacate para fazer sabão.
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Fé para vencer – A permanência das primeiras famílias chegadas em Jateí foi sustentada na fé, pois as condições de sobrevivência eram muito precárias. Segundo Ilda, as três primeiras famílias que chegaram em Jateí – lideradas por Dário Dionízio, Pedro Neres e Constantino Oliveira – eram católicos bem praticantes. “A fé em Deus, na Virgem Maria e em São Pedro, predominava como refúgios para vencer as batalhas do cotidiano, que não eram poucas.
Depois da construção dos ranchos de pau à pique (muito rústicos), Dário, Pedro e Constantino. também construíram a primeira igreja para orações nos mesmos moldes de suas casas. Com o passar do tempo e aumento do povoado, outra igreja foi erguida, já de madeira trabalhada, tendo São Pedro como seu padroeiro.

