Cerealista, a primeira grande empresa

Começo das atividades da Cerealista Boigues em Jateí, a primeira grande empresa do município

O primeiro empreendimento de Jateí foi a cerealista Boigues, instalada em 1.964,por iniciativa do empresário Arthur Boigues. A saga do empreendedor é narrada pelo seu filho mais novo, Alessandro Silva Boigues, que mostra todo o orgulho do legado que seu pai deixou para a família e para o desenvolvimento de Jateí.

Conforme Alessandro, seu pai casou sua mãe Carolina da Silva Boigues, em 1.964, em Álvares Machado, município localizado no oeste paulista. Com um caminhão, ele começou a ir a Jateí para comprar cereais e levar ao interior de São Paulo para beneficiamento. O sucesso nos negócios motivou o jovem Arthur a investir neste lugar. Ele então convidou seu irmão Antonio Carlos (Carlinhos) e o amigo Dirceu para ajudar no comércio e expandir os negócios nesta terra próspera.
Eles então construíram um armazém com a instalação de uma máquina de descascar amendoim, levando o produto já beneficiado para São Paulo. Com o sucesso do amendoim, outras culturas também foram introduzidas, entre elas o algodão, produto que  fez expandir ainda mais os negócios da Cerealista Boigues.
Com a prosperidade dos negócios em Jateí, Arthur Boigues decide retribuir a confiança dos jateienses e começa a investir na aquisição de terras no município, principalmente na Linha do Barreirinho.
Das terras da propriedade saiu muita madeira para construção de casas na cidade e também na zona rural, uma outra modalidade de negócio vislumbrada por Arthur. O tino comercial do empresário enxergou também a pecuária e a agricultura, com grandes plantações de algodão e amendoim. A propriedade em Jateí virou referência para toda família em São Paulo, que todo ano se reunia na casa de Arthur para as festas e férias, celebração do afeto e do sucesso nos negócios.
Uma curva no caminho de Arthur – Na década de 1.980, um fato no caminho do empresário mudou sua vida. A linha reta do sucesso do polivalente Arthur foi parada numa curva, na localidade do Barreirão, provocando múltiplas fraturas em seu corpo. Ele sobreviveu ao acidente, mas teve que diminuir a velocidade dos seus negócios. A principal base operacional do empreendimento, a Cerealista Boigues, teve quer fechada, ficando apenas com a fazenda no Barreirinho.
No fechamento da Cerealista, Arthur Boigues retribuiu, mais uma vez, a acolhida e confiança jateienses. Ele doou o terreno da máquina de beneficiamento de amendoim para a construção do clube dos servidores da Prefeitura, e também para a construção de algumas casas.
 
Os ex-saqueiros Dirceu e Chico relembram o passado

Tempos de trabalho e amizade – As décadas de 1.960/70 foram intensas para Dirceu Aguiar de Souza, 80 anos (em 2024), e Francisco Rodrigues de Souza (Chico Bernardo), com 91 anos (em 2024),  então jovens senhores da época. Eles foram ensacadores (saqueiros) da Cerealista Boigues, desde seu começo. Dirceu veio com o patrão Arthur de Álvares Machado-SP  e Chico, como é mais conhecido, morava em Vicentina e se mudou com a família para Jateí.

Dirceu ainda mora em Jateí com sua família, sendo que Dirceu mora na vizinha Glória de Dourados. A família dos dois continuam unidas e a amizade dois cada vez mais fortalecidas. “Aquela época foi um tempo de muito trabalho, mas de muita amizade e companheirismo também. Um exemplo é que, ainda hoje, os filhos de seu Arthur ainda conversam com a gente , em memória aos tempos passados, quando trabalhamos juntos com seu pai na cerealista e também em suas propriedades”, afirmam Dirceu e Chico durante encontro em Jateí.
Os dois lembram, também, de um menino curioso que rondava a cerealista na época. Seu nome era Eraldo Jorge Leite, que cresceu e virou prefeito do município em cinco oportunidades. Eraldo, então com 13 anos, acabou sendo contratado como balanceiro, sendo este o primeiro emprego do personagem que se tornou uma referência na política local.
apontam onde funcionava a cerealista em Jateí

As palavras dos dois ex-saqueiros da cerealista são referendadas por Alessandro Boigues, gerente geral dos negócios da família em solo jateiense. O filho de Arthur Boigues se refere aos ex-colaboradores da empresa como “lendas vivas” que fazem parte da história família. A consideração dos trabalhadores também é recíproca. Márcia Cristina, uma das filhas de Dirceu, quando fala de Alessandro chama ele de “padrinho”.

Imagens de Arthur Boigues (em memória), dele com a esposa dona Carolina e o casal com os sete filhos ainda pequenos

Os filhos à casa tornam – Arthur Boigues nasceu no dia 1 de novembro 1942 em Álvares Machado, casando em 1.964 com Carolina da Silva Boigues. Os dois tiveram sete filhos, sendo seis homens e uma mulher. Com passar do tempo, os filhos foram crescendo, se formando e vindo morar no MS, sempre convivendo na propriedade onde todas as férias se reuniam para ajudar o pai a formar as terras.

No ano de 2004, os filhos fizeram a primeira suinocultura de engorda no município, sendo que no ano de 2009 ampliaram o empreendimento,  fazendo uma granja de 5 mil matrizes de suínos. “infelizmente meu pai não viu a conclusão deste projeto, ele faleceu dia 2 de outubro de 2010, em virtude de um problema cardíaco. Nosso pai fez e nos ensinou a amar esta terra, onde nos apegamos mais e fomos investindo na propriedade, fazendo mais granjas e também confinamento de gado”, fala emocionado o filho Alessandro, responsável pelo gerenciamento dos investimentos da família em Jateí.

Maior criador de suínos – Os Irmãos Boigues seguem o mesmo tino empreendedor do pai Arthur. “Vislumbrando o mesmo futuro promissor que nosso pai enxergou em Jateí, hoje na nossa propriedade tem 14 mil matrizes, onde se produz perto de meio milhão de leitões por ano, tem uma granja de engorda de 5.200 animais, 1.200 bovinos em confinamento, fábrica de rações e uma propriedade-empresa que gera mais de 150 empregos diretos, fazendo Jateí se tornar o maior polo de produção de leitões do Mato Grosso do Sul”, orgulha-se Alessandro Boigues.